O USO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO SITUACIONAL NA SISTEMATIZAÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE PARA TRABALHADORAS SEXUAIS
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Palavras-chave

Território
Educação em saúde
Atenção Primária à Saúde

Resumo

Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada no Sistema Único de Saúde e é fundamental para coordenar os cuidados em saúde, por atuar nos territórios, próximo das comunidades e das pessoas. Objetivo: Relatar o uso do Planejamento Estratégico Situacional para a sistematização do cuidado em saúde de trabalhadoras sexuais no território de abrangência de uma Unidade de Saúde da Família. Método: Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo. Ocorreu em Natal, em uma Unidade de Saúde da Família com 19.267 cadastrados, localizada em um bairro com aproximadamente 80.000 habitantes. Para a sistematização do cuidado, foi realizado um Planejamento Estratégico Situacional (PES), composto pelas seguintes etapas: 1) Definição dos atores que participaram do plano; 2) Listagem dos problemas; 3) Determinação das causas, determinantes, nós críticos e relação de causalidade de cada problema; 4) Priorização dos problemas e determinantes; 5) Determinação do plano de ação e estabelecimento de metas e resultados esperados; 6) Implementação e gerenciamento do plano de ação; e 7) Avaliação permanente. Resultados e Discussão: Os problemas listados foram: a alta incidência de IST no território e a baixa procura para atendimentos de Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP). Observou-se que a alta incidência de IST poderia ter relação com o desconhecimento da população sobre práticas sexuais saudáveis e os métodos de prevenção combinada, entre eles, a PrEP. Os problemas foram priorizados quanto à governabilidade, capacidade de enfrentamento, grau de importância, grau de urgência e vontade da equipe; ambos foram categorizados como de alta prioridade. Foram realizadas 5 ações: 1ª Levantamento do quantitativo de casas de prostituição no território de abrangência da USF e adjacências, realizado por ACS, onde foram encontrados 6 bares frequentados rotineiramente por trabalhadoras sexuais; 2ª e 3ª: Busca ativa realizada por 2 ACS em 2 visitas aos estabelecimentos e a articulação de 1 enfermeira por ligação telefônica para fortalecimento do vínculo dos estabelecimentos com o serviço de saúde e estimular a participação nas atividades de promoção à saúde a serem realizadas; 4ª: Atividade de Educação em Saúde realizada em 26 de junho de 2023, nos estabelecimentos, mediante agendamento prévio, com a realização de rodas de conversa sobre práticas sexuais saudáveis e a prevenção contra IST, distribuição de folders informativos com os serviços disponibilizados na USF, agendamentos de atendimentos para PrEP, coleta de citopatológicos do colo do útero e distribuição de preservativos; e 5ª: Rastreamento para IST realizado em 03 de julho de 2023, nas casas de prostituição próximas à área adscrita da unidade de saúde, com a realização de 8 consultas de enfermagem e 32 testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. Contudo, tem-se percebido um aumento dessa população na procura e na adesão aos serviços disponíveis na USF e a necessidade de avaliação permanente para monitorar e planejar o desenvolvimento de outras atividades de promoção à saúde no território de abrangência da unidade. Conclusão: A experiência contribuiu para o fortalecimento do vínculo entre o serviço de saúde e um grupo social minoritário que atua no território, assim como para o aprofundamento teórico no desenvolvimento de ações estratégicas de cuidado em saúde. Por fim, demonstra que a utilização do PES tem potencial para sistematizar as ações de cuidado em saúde no território.

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